O mito da Vida Feliz dos cativos

Há algumas semanas recebi um artigo sobre um indivíduo que conheci e convivi há algum tempo atrás. No final texto fui surpreendido pela seguinte frase:

“Apesar das grades, mãe e filho vivem uma vida feliz. Há 14 anos.”

Quem lê essa frase pode pensar que se trata de alguém que cometeu um crime e está preso há um tempo, e que a presença da mãe transforma a tragédia em história de amor. Mas se engana.

Continue lendo “O mito da Vida Feliz dos cativos”

Extinção das plantas é má notícia para todas as espécies, incluindo os humanos

Um estudo publicado nesta semana na revista Nature Ecology and Evolution [1] afirma que, nos últimos 250 anos, cerca de 600 espécies de plantas foram extintas. A taxa é 500 vezes maior do que o esperado em condições naturais, ou seja, sem os humanos na equação. A pesquisa foi conduzida pela bióloga Maria Vorontsova do Royal Botanic Garden (Kew, Reino Unido) e analisou o status de mais de 330 mil espécies de plantas em publicações científicas. Ela encontrou altos índices de extinção em regiões insulares (ilhas) e tropicais, onde se espera encontrar uma variedade relativa de espécies maior do que em outros ambientes.

Continue lendo “Extinção das plantas é má notícia para todas as espécies, incluindo os humanos”

Mata Atlântica e Onça-pintada: dias de um futuro incerto

No dia em que comemora-se oficialmente a Mata Atlântica, duas notícias trazem ao debate o futuro do bioma e das espécies que o compõe. A primeira [1] diz respeito à diminuição de 9% da taxa de desmatamento entre 2017 e 2018, menor valor desde que a série histórica teve início, em 1985. Embora alguns estados (p.e. Ceará, Paraíba, São Paulo) conseguiram manter valores abaixo de 100 hectares (ha) de área desmatada (o que é considerado “desmatamento zero”), outros como Minas Gerais, estado que possui a maior extensão de Mata Atlântica, destruiu 3.379 ha, seguido do Paraná, com 2.049 ha.

Continue lendo “Mata Atlântica e Onça-pintada: dias de um futuro incerto”

Lugar de cientista também é na rua, com o povo

Diante dos recentes pronunciamentos do atual Governo Federal sobre os cortes nas diferentes áreas da Educação, Ciência e Tecnologia do país, diversas manifestações contrárias às medidas ocorreram (e ocorrerão) nos últimos dias em diversas cidades brasileiras. Uma iniciativa chamou a atenção: cientistas das universidades públicas e dos institutos de pesquisa do Estado de São Paulo foram à Avenida Paulista para mostrar à população o trabalho desenvolvido em suas pesquisas científicas.

Continue lendo “Lugar de cientista também é na rua, com o povo”

Como o conhecimento sobre a organização social de orcas (Orcinus orca) nos leva à lutar contra a exploração de animais para diversão?

Estamos na segunda década do século XXI e nem o mais pessimista do século anterior poderia imaginar que neste momento histórico ainda estaríamos discutindo questões tão arcaicas como a captura em vida livre e a manutenção em cativeiro para exposição e exploração de animais selvagens. Mas aqui estamos nós…

Continue lendo “Como o conhecimento sobre a organização social de orcas (Orcinus orca) nos leva à lutar contra a exploração de animais para diversão?”

A fotografia como ferramenta para monitores ambientais no Parque Estadual Xixová-Japuí

No último dia 27 de abril tive a satisfação de colaborar com a formação da equipe de monitores ambientais da unidade de conservação Parque Xixová-Japuí (PEXJ), localizado entre os municípios de São Vicente e Praia Grande, no litoral paulista (fig.1). A unidade estadual foi criada em 1993 e possui aproximadamente 900 hectares, abrigando fragmentos de Mata Atlântica, mata de encosta, costões rochosos, restinga, praia arenosa e o ambiente marinho, que ocupa cerca de 1/3 da área do parque (fig.2).

Continue lendo “A fotografia como ferramenta para monitores ambientais no Parque Estadual Xixová-Japuí”

[fotografia] #13: Onde a natureza ocupa novamente seu espaço

Gavião-carrapateiro descansa próximo do que já foi uma chaminé do antigo Curtume.

Localizado entre os municípios de São Vicente e Praia Grande, o Parque Estadual Xixová-Japuí abrange uma área de 901 ha entre florestas e área costeira. Criado em 1993, o parque abriga importante porção de Mata Atlântica, costões rochosos, praias arenosas, restinga e ambientes marinhos.

Antes de se tornar Unidade de Conservação, a área do parque já abrigou um Curtume (produção baseada no couro como matéria-prima), uma pedreira e hoje compartilha espaço com uma população indígena e uma base militar, além de parte de seu entorno possuir uma influência da urbanização nas últimas décadas.

É nesse contexto que a vida selvagem sobrevive e ocupa os espaços entre o ecótono natureza-cidade.

[fotografia] #12: As partes que buscam explicar a beleza do todo

Fotografar animais marinhos não sendo mergulhador é complicado, ainda mais quando o objetivo são baleias (neste caso, baleias-jubarte – Megaptera novaengliae). Fora da água, esses mamíferos se apresentam na atmosfera com partes de um corpo totalmente adaptado para a vida aquática ao buscar oxigênio atmosférico e executar comportamentos sociais.

Continue lendo “[fotografia] #12: As partes que buscam explicar a beleza do todo”

Um guia para conhecer as áreas protegidas de São Paulo

O estado de São Paulo possui mais de 150 unidades de conservação e áreas verdes gerenciadas pela Fundação Florestal e apoiadas pelo Instituto Florestal, ambas integrantes do Sistema Ambiental Paulista. Embora o atual governo estadual tenha adotado estratégias controversas sobre a questão ambiental (extinção da histórica Secretaria de Meio Ambiente, fundida com outras duas[1] e a transferência do Cadastro Ambiental Rural para a Pasta de Agricultura [2], só para citar), alguns projetos da gestão anterior resistem, como é o caso do novo Guia das Áreas Protegidas de São Paulo.

Continue lendo “Um guia para conhecer as áreas protegidas de São Paulo”