Uma conservacionista e os psitacídeos em Ilhabela

Segundo a legislação ambiental brasileira, os animais selvagens são responsabilidade do Estado e ações de conservação são necessárias para manter as espécies fora de ameaça. Mas o fato é que os governos, em qualquer esfera, têm demonstrado uma incapacidade histórica de proteger a fauna no país, abrindo espaço para a sociedade civil realizar a tarefa, como faz Silvana Davino, que há mais de dez anos atua na conservação de psitacídeos em Ilhabela, na Área de Soltura Monitorada de Fauna Silvestre Cambaquara.

Um dos recintos da ASM

Homologado como Área de Soltura em 2014, as atividades no local iniciaram em 2008 com uma pequena espécie de psitacídeo, o periquito-rico. A partir de 2012 o espaço começou a abrigar um dos maiores papagaios brasileiros, Amazona farinosa ou papagaio-moleiro e iniciou, de forma voluntária, a recuperação de espécies de aves nativas da ilha para devolvê-las à vida livre como o já mencionado papagaio-moleiro (A. farinosa), maritaca-verde (Pionus maximiliani), periquito-rico (Brotogeris tirica), tiriba-de-testa-vermelha (Pyhurra frontalis), uma espécie de ramphastídeo, tucano-bico-verde (Ramphastos dicolorus) e eventualmente alguma outra espécie que pode ser encaminhada para tratamento.

Papagaios-moleiro jovens

Silvana afirma que muitos indivíduos chegam com ferimentos e traumas,que vão desde colisões, passam por cativeiro ilegal, até tiros de arma de fogo. Os animais ficam em recintos separados por espécie e recebem tratamento veterinário quando necessário. É importante lembrar que o espaço é uma área de soltura, ou seja, deveria ser apenas um local onde os animais em condições seriam devolvidos para a vida livre, mas como na região não há um centro de reabilitação ou de triagem, a área acaba acumulando essas três funções.

O processo de reabilitação e soltura é lento e depende de fatores como encontrar alimento na natureza, identificar predadores, capacidade de voar e não se aproximar de humanos. Os animais que possuem condições de retornar para a vida livre são alimentados com frutas nativas, ficam em recintos afastados com poleiros dispostos de uma forma que estimule o animal a voar com maior frequência e quando alguém da equipe entra no recinto levam uma espécie de chocalho para que o barulho impeça a aproximação das aves. Silvana e sua equipe criaram um dispositivo em alguns recintos que permite que o animal entre e saia (soft realease) e assim possam ganhar confiança gradativamente, com o auxílio de comedouros externos. Quando os animais começam a sair dos recintos, ainda são monitorados nos arredores da área com o auxílio de binóculos, com o objetivo de avaliar como a readaptação à vida livre está ocorrendo.

Tucano-de-bico-verde solto, dentro da ASM

Atualmente, a área tem o apoio da World Parrot Trust – uma organização que apoiou na construção do recinto de pré-soltura. O custo de manutenção da área de soltura até o início do ano era financiado integralmente pela própria Silvana, mas felizmente a partir deste ano ela conseguiu estabelecer uma parceria com a Prefeitura de Ilhabela, cobrindo os custos básicos de manutenção. Mas há o que avançar: até hoje ela paga do próprio bolso as anilhas (R$ 20,00/unidade) que marcam as aves, que poderiam ser disponibilizadas pelo próprio Centro Nacional de Pesquisa e Conservação das Aves Silvestres – CEMAVE, mas não são.

Silvana e o recinto de pré-soltura

A área não é aberta para visitação, já que se trata de uma espaço dedicado à soltura dessas espécies. Mas é preciso que a população – e o poder público – saiba que o espaço existe e a importância do trabalho diário que Silvana e sua equipe desempenham para a conservação tanto das espécies já citadas mas também para a manutenção da saúde da floresta que cobre mais de 80% da ilha.


Para saber mais:
Conheça o blog da ASM Cambaquara: http://asmcambaquara.blogspot.com
World Parrot Trust: https://www.parrots.org

Como colaborar com a ASM Cambaquara?
Ajudando a divulgar nosso trabalho para potenciais colaboradores;
Doando telas para manutenção dos nossos viveiros;
Fornecendo instrumentos de monitoramento remoto, tais como radio-colar;
Realizando uma doação na nossa conta:
Banco do Brasil
Agência 4694-9
Conta Corrente: 10366-7
Titular: Associacao de Amigos da Area de Soltura Cambaquara
CNPJ: 26.667.061/0001-09
(Notificar o depósito para o e-mail asmcambaquara@gmail.com)

2 comentários em “Uma conservacionista e os psitacídeos em Ilhabela

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