O mito da Vida Feliz dos cativos

Há algumas semanas recebi um artigo sobre um indivíduo que conheci e convivi há algum tempo atrás. No final texto fui surpreendido pela seguinte frase:

“Apesar das grades, mãe e filho vivem uma vida feliz. Há 14 anos.”

Quem lê essa frase pode pensar que se trata de alguém que cometeu um crime e está preso há um tempo, e que a presença da mãe transforma a tragédia em história de amor. Mas se engana.

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Mata Atlântica e Onça-pintada: dias de um futuro incerto

No dia em que comemora-se oficialmente a Mata Atlântica, duas notícias trazem ao debate o futuro do bioma e das espécies que o compõe. A primeira [1] diz respeito à diminuição de 9% da taxa de desmatamento entre 2017 e 2018, menor valor desde que a série histórica teve início, em 1985. Embora alguns estados (p.e. Ceará, Paraíba, São Paulo) conseguiram manter valores abaixo de 100 hectares (ha) de área desmatada (o que é considerado “desmatamento zero”), outros como Minas Gerais, estado que possui a maior extensão de Mata Atlântica, destruiu 3.379 ha, seguido do Paraná, com 2.049 ha.

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[livro] Dois livros e um Darwin

A abertura das comemorações do aniversário de Darwin (mais conhecida como Darwin Day) no Museu de Zoologia da USP (MZUSP) foi histórica. A organização do evento convidou para a primeira mesa-redonda dois personagens diretamente relacionados à principal publicação de Charles Darwin, o livro “A Origem das Espécies”: os professores doutores Nélio Bizzo (FE-USP) e Pedro Paulo Pimenta FFLCH-USP).

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[fotografia] É possível conhecer a verdadeira natureza animal através de suas sombras?

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Sombras são estruturas intrigantes. Embora alguns digam que são inexistentes, podemos reconhecê-las quando, na ausência da luz, ocupam determinados espaços atrás de um objeto ou ser com uma fonte de luz à sua frente e nos permitem relacionar suas formas com aquilo que as produziram. Mas é só isso. São apenas produto de algo e não possuem autonomia ou expressão autêntica, como prisioneiras de uma condição imposta pela Física.

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Quanto vale uma espécie?

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Essa talvez seja uma das perguntas mais complexas para se responder e possivelmente não exista uma resposta tão precisa quanto desejamos. O processo de especiação — a formação de uma nova espécie — depende de inúmeros fatores, como os químico-físicos (temperatura, luz, umidade, etc.), biológicos (espécies competidoras, presas, predadoras, invasoras…), climáticos ou geológicos (terremotos, deriva continental). Isto sem falar nos eventos que podem chegar sem aviso, como aconteceu há 65 milhões de anos e produziu um dos maiores eventos de extinção do planeta.Foi possivelmente graças à um meteoro que a chamada Era dos Dinossauros deu lugar ao tempo que vivemos hoje: a Era dos Mamíferos, na qual somos atualmente uma das espécies mais significativas do ponto de vista do impacto ambiental global. Continue lendo “Quanto vale uma espécie?”